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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Capítulo 39

-Como passou o dia? –Zac perguntou depois de depositar um beijo leve nos lábios de Vanessa.

-Péssima. Chace não parou de me ligar e como se não bastasse ainda me mandou mensagem dizendo que me amava.
-E você?
-Mandei ele pro inferno! Me deu uma vontade de terminar tudo por mensagem, mas me controlei.
-Não se estresse, baby. Tudo vai se resolver. –Z falou lhe entregando uma taça com vinho.
-Espero. Fui no escritório do meu advogado e descobri que ele precisou fazer uma viagem de ultima hora. Com certeza tem o dedo do Chace nessa história. Patrick é tão medroso; age como se Chace fosse um tipo de deus.
-Quer que eu fale com o meu advogado pra você?
-Não precisa. Falei com a Monique e ela me passou o contato do responsável pelos trâmites da Destiny.
-Jerry é um ótimo advogado.
-Eu também achei. Nos encontramos antes de eu vim pra cá. Ele me pareceu confiante e confiável, o que é muito importante. Duvido que aceite suborno.
-Que bom.
-Ah me desculpe. Não parei de falar desde que cheguei. Perdão.
-Tudo bem, nós combinamos que seríamos sinceros um com o outro não foi?
-Sim, mas eu extrapolei. Me avise quando devo parar, ok? –Pediu lhe roubando um selinho. –Me diga como foi o seu dia. Conseguiu dormir? Como foi na casa do Alex?
-Meu dia foi bom, tirei um cochilo e foi bem lá também. Na verdade eu saí logo depois de você. Precisava arrumar a casa.
-Hum, bom trabalho. –Elogiou observando o lugar.
-Muito obrigado.
-E esse cheirinho?
-Minha especialidade: lasanha de microondas.
-Estou com água na boca.
-Acabei de colocar para cozinhar, então vamos precisar esperar.
-Tudo bem, chef Efron. O que você quer fazer nesse tempo?
-Não sei, talvez trocar alguns beijos.
-Hum, adorei a ideia. –Disse se aproximando. Namoraram por alguns minutos até o microondas apitar.
-O jantar está pronto.
-Ah. –Ela dramatizou.
-Nem comece ou eu tiro o vinho de você.
-Assim você me assusta. O que foi que eu fiz na praia?
-Me seduziu.
-Ah, seduzi foi?
-Uhum.
-E você nem gostou não é?
-A carne é fraca.
-Fraca, sei. –O beijou novamente.
-Vamos antes que esfrie.

Zac a guiou até a cozinha e logo serviu o prato principal com mais uma taça de vinho.

-Acho que você quer me embriagar.
-Isso é uma calúnia. –Ele disse sorrindo.
-Gostou da Vanessa que seduz não é?
-Todas as suas facetas me seduzem, baby.
-Boa resposta.
-Já garanti minha noite?
-Você está me saindo um garoto muito saidinho, Efron.
-E você não gosta desse meu lado?
-Adoro todas as suas versões, baby.
-Acho bom. –Disse fazendo ela sorrir antes de da uma garfada. –E então?
-Delicioso.
-Te falei que era o melhor.
-Agora sim você ganhou a noite.
-Sempre conquistável pela barriga, não é?
-Obviamente. –Sorriu.

[...]

-Eu não fiz isso.
-Fez sim, senhora.
-Por favor, não conte a ninguém.
-Não se preocupe, não vou fazer isso, mas o golpe das preliminares aquáticas foi o melhor.
-Meu Deus, perdão.
-Agora você quer saber de Deus.
-Para.
-Vai passar a tomar mais cuidado com o álcool, certo?
-Com certeza. Eu sabia que ficava mais liberal quando bebia além da conta, mas isso? Estou chocada.
-Eu também fiquei.
-Mas aproveitou pra me levar pro barco, não foi?
-Você também quis.
-Eu sei, mas mesmo assim.
-Vanessa, sem arrependimentos.
-Eu não me arrependo, só estou surpresa.
-E nós repetimos.
-Eu lembro disso.
-Ah, disso você lembra?!
-Eu lembro quando fizemos amor, mas o sexo selvagem... Jurava que era coisa da minha imaginação.
-Bom saber que você imagina esse tipo de coisa.
-Você me entendeu.
-Entendi mesmo, sua safada.
-Para. –Disse gargalhando. –Estou adorando esse momento, sabia? –V disse se aconchegando mais a ele.
-Eu também. A Stella ficou com quem?
-Deixei ela na Ashley.
-Aproveitando enquanto pode, não é?
-Lógico. Logo ela vai está com um namorado novo e eu que vou ficar com a Maui.
-Ela adora aquela cachorra.
-Eu sei. –Disse o beijando. Era um beijo calmo e suave, típico dele.
-Você quer ir agora?
-Não, quero ficar com você.
-Você pode ficar, mas sabe as regras.
-Nada de sexo.
-Exatamente.
-Mas amor não é sexo.
-Vanessa!
-Só estou brincado com você. –Disse rindo. –Não foi assim que eu fiz na praia?
-E conseguiu o que queria.
-Não se preocupe, não estou com forças pra nada. Só quero seus beijos.
-Que bom, por que só posso te dar isso. Estou exausto. –Disse lhe dando um beijo na testa. –Quer ligar pra Stella?
-Não, ela já deve está dormindo.
-Então vamos lá pra cima.
-Me carrega.
-Sempre princesa.
-Sempre.

[...]

-Seus pais sabem? –Ele perguntou fazendo carinho no cabelo dela.
-Não, nem desconfiam.
-Você vai contar?
-Você quer que eu conte?
-Na verdade, não. Seu pai me adora, mas com certeza vai querer me passar um sermão por ser o amante.
-Primeiro: te adorava. Quando você me largou, todos se viraram contra você. Segundo: é mais fácil eu levar uma bronca. "Não te criei pra isso, Vanessa. Não tenho mais idade para me preocupar com essas coisas." E minha mãe então? "Minha filha, essa vida de Hollywood te transformou em piranha".
-Dona Gina é um amor, não consigo imaginar ela te xingando.
-Quando se trata desse assunto, ela é capaz de tudo. Ela não gosta do Chace, mas o respeita. É capaz até de me bater.
-É melhor você não falar mesmo.
-Também acho. Já conversei com a Stella e vou deixar claro que meu casamento está passando por uma crise, mas sem entrar em detalhes. Não quero preocupar nenhum dos dois, sem contar que iam tentar me juntar com ele. "Casamento é pra vida toda" é o lema da família.
-Sem contar que ele já tirou muito leite dessa vaca, então, sem devoluções.
-Exatamente. Por mais que eu queira, eles não vão aceitar. "Casou escondido por que quis, agora aguente."
-Se bem que eles tem razão.
-Mas não foi escondido. Eu avisei. Dois dias antes, mas avisei.
-Muita diferença, não é?
-Eles podiam ter me proibido de viajar, mas não. Me mandaram ir e aproveitar bem as oportunidades que a vida me daria.
-Não acho que isso incluía casamento.
-Calado. –Riu. –Minha mãe se desesperou. "Como assim, Vanessa? Você nem conhece o cara." E eu "Mamãe, ele pediu pro papai e ele deixou." "Mas seu pai achou que você ia negar.". Foi cômico.
-Coitada.
-Eu estava muito confusa. Foi loucura, eu sei, mas aconteceu.
-O que seria de nós se pudéssemos mudar o passado?
-Nem quero pensar nisso. Acho que nunca teria saído de Salinas.
-Obrigada pela parte que me toca.
-Você entendeu. –O beijou. –Boa noite.
-Boa noite. Não se esqueça: o primeiro que acordar faz o café da manhã.
-E lava a louça.

[...]

-Senhor Crawford, o seu pai está na linha dois.
-Mande ele para o inferno!
-Eu normalmente não insistiria, mas por favor, atenda. Ele me pareceu preocupado.
-Nada que vem dele me interessa.
-Eu sei, senhor, mas me pareceu importante. Ele foi bastante insistente.
-Tudo bem, eu vou atender, mas só por que você está me pedindo. –Chace disse e Victoria não pode deixar de sorrir.
-A sala de reunião estará pronta em cinco minutos. –Ela avisou abrindo a porta.
-Certo. Ei, eu quero que você fique. Se eu vou atender por você, o mínimo que você poderia fazer era ficar.
-Tudo bem, mas coloque no viva-voz.  Se eu vou ficar, o mínimo que você poderia fazer era me deixar ouvir.
-Ok. –Ele concordou enquanto apertava um botão do telefone. –Crawford.
-Estou tentando falar com você desde cedo. –Eles ouviram Chris reclamar. –Porquê não atendeu as minhas ligações?
-Por que eu não quis. O que você quer? Alguém morreu por acaso?
-Não, mas está quase. A sua avó...
-O que aconteceu com ela? –Chace se preocupou. Não queria perder a única pessoa que considerava honesta naquela família.
-Ela não está bem. Sua tia Mandy disse que ela vem sentindo dores no peito há algumas semanas, mas que não queria que ninguém soubesse. Ontem a dor foi mais forte e ela desmaiou.
-Ela já foi examinada?
-Você conhece a sua avó, ela não confia em médicos. Te liguei para tentar convence-la a se consultar já que você é o preferido dela. Um médico de Tóquio já está a caminho. É distante, mas você sabe que lá está uma das melhores faculdades de medicina do mundo.
-Eu sei. –Ele disse olhando para a secretária. –Eu vou vê o que posso fazer. Separem um quarto da casa para mim também. Estarei aí o mais tardar no fim de semana.
-Certo. Sua esposa vem também?
-Provavelmente não. Ela está ocupada com o trabalho e também planeja visitar a família.
-Ah, então vocês estão separados!
-Não. Ligue no meu celular pessoal para me manter informado; eu vou atender suas ligações, mas nada de abusar da sorte como está fazendo agora. Preciso desligar, tenho uma reunião.
-Tudo bem. Eu vou mantê-lo a par de tudo, não se preocupe. E filho, não deixe que aquela ninfeta roube seu dinheiro.
-Vai pro inferno! –Chace disse antes de desligar. –É por isso que eu não queria atender. –Ele disse olhando para Victoria que estava séria. –O que foi? Não fiz nada de errado.
-E nem vai fazer. Você acha mesmo que tem condições de viajar doze horas seguidas? Você aguentaria no máximo ir até a Itália, isso com sorte, mas conhecendo bem o seu organismo eu diria que na Jordânia você precisaria de aparelhos.
-Sinto muito, mas eu preciso ir para os Estados Unidos.
-E eu preciso de um namorado. –Disse. –Que tal se nós dois escrevêssemos para o papai noel? Talvez ele faça isso.
-Não seja ridícula.
-Chace, eu entendo sua preocupação com a sua avó, mas eu não vou deixá-lo fazer isso. O senhor não consegue subir uma escada com mais de quinze degraus sem sentir falta de ar, imagine conseguir viajar horas e horas seguidas entre climas e níveis de oxigênio diferentes. Não vai acontecer!
-Ela pode morrer.
-Como o senhor também. Estou falando sério. Ligue para ela e a convença pelo telefone por que pessoalmente não vai acontecer. –Ela afirmou novamente. –Não enquanto a sua imunidade não se elevar.
-E quando isso vai acontecer?
-Se continuar a fazer tudo certo eu diria que no mínimo em três meses.
-É demais, Victoria.
-Eu sei, mas não me culpe. Se tivesse se cuidado desde o início...
-Não comece com isso. Já estou farto desse discurso. –Ele disse cansado.
-Tudo bem. Mas o senhor não deveria ter vindo pra cá antes da hora. Os exames não apontavam melhoras e mesmo assim você se arriscou.
-Era um bom negócio.
-Pois então aproveite o dinheiro extra e compre uma saúde nova e uma outra esposa. Ah, espere, o senhor não pode fazer isso.
-Você está me criticando pela minha vinda sem aviso prévio ou por ter deixado Vanessa?
-Pelos dois.
-Porquê? Minha vida conjugal não interessa a ninguém.
-Não me interessa mesmo, pode acreditar, mas me afeta. O senhor é insuportável sem ela.
-Estou preocupado. Ela está me evitando de todas as maneiras possíveis e o ex dela ainda está lá. Ele ainda sente algo por ela e é arriscado demais.
-Arriscado foi a sua viagem de ultima hora, tanto para seu casamento quanto a sua saúde e não me olhe assim; o senhor sabe que eu falo a verdade.
-Preferia que não falasse.
-Bem, você não vai e ponto. Não pode se arriscar mais. Sua avó pode ser convencida pelo telefone.
-E a Vanessa?
-Vocês não conversaram por mensagem?
-Sim, e ela pediu um tempo.
-Então de um tempo a ela. Todo mundo precisa de um tempo em algum momento. Não é fácil ser abandonada por dinheiro...
-Não foi por isso.
-Então pelo que?
-Ah, não enche, Justice. –Ele resmungou. –Vamos para a reunião?
-Vamos. Depois eu liberarei um espaço na sua agenda para o senhor poder ligar para sua avó e resolver esse problema.
-Você sabe que eu posso comprar uma passagem sem você saber, não é?
-Não se eu bloquear a sua conta primeiro.
-Você não se atreveria.
-Pague pra vê.

[...]

-Não! –Ele berrou despertando de seu sonho. Pesadelo na verdade. Ouviu passadas e logo a porta do quarto foi aberta.
-O que houve?
-Nada, só um sonho ruim. Volte a dormir senhor Magan.
-Você está se sentindo bem, rapaz? Está pálido. –A indiana disse preocupada.
-Estou bem, senhora Kalika, desculpe o incomodo. Espero não ter acordado Uma.
-Vou descobri em instantes. Qualquer coisa nos avise. –A senhora disse fechando a porta do quarto novamente e Chace suspirou. Estava completamente suado e com a visão fora de foco. Não queria ligar para Victoria pois sabia o que tinha: queda de pressão devido ao pesadelo. Passaram minutos, talvez horas, e o mal estar continuava. Pegou o celular e acionou a discagem rápida. Ela atendeu no terceiro toque.
-Sim, senhor Crawford, aconteceu alguma coisa?
-Eu tive um pesadelo.
-Quer conversar sobre isso?
-Não, eu só preciso me distrair. Estou com a pressão baixa e as imagens não saem da minha cabeça.
-Já tomou seus medicamentos?
-Há muito tempo atrás. Isso não tem nada a ver com a minha saúde, Victoria. É a Vanessa, ela tem outro. Nos meus sonhos ela está me traindo.
-Com o ex?
-Eu não sei, não consegui vê o rosto dele.
-Onde eles estavam? Como se vestiam?
-Estavam no Craft no aniversário de Vanessa. Era muito real. E por mais que eu tentasse intervir, era impossível. Eu era apenas parte da platéia.
-Isso me parece medo, senhor. Conversamos hoje sobre sua esposa e como é difícil o abandono tão repentino e tenho certeza de que isso ficou martelando na sua mente até a hora de dormir. A ideia de que o senhor não tem controle sobre o que aconteceu assim que você saiu da festa lhe assusta. Particularmente, não acho que a sua esposa seria capaz.
-Você só falou com ela uma vez.
-Mas eu não falo por ela, falo pelo senhor. Tenho certeza de que ela tem bom gosto e bom senso.
-Eu sei que ela não seria capaz em seu juízo perfeito, mas com certeza ela se embriagou e ela estava tão irritada comigo.
-O senhor está se preocupando atoa. Ela é uma boa moça. Vocês vão se resolver.
-Então porquê ela pediu um tempo?
-Por que ela quer isso, precisa disso. A relação de vocês está desgastada pelo que pude perceber. Essa distância é boa para ajudar a manter os pensamentos em ordem.
-Mas ela poderia pelo menos falar comigo de vez em quando. Já estamos distante fisicamente...
-E isso não é suficiente, não para um coração ferido.
-Eu sinto falta dela.
-E ela deve sentir a sua. Não se preocupe, logo você estará na América de novo.
-Daqui a três meses. Isso não é logo. Muita coisa pode mudar... E se ela conhecer alguém?
-Chace, pare de pensar essas coisas. Pensamentos ruins só atraem negatividade. Sua esposa está indo passar um tempo com a família dela então não há motivos para se preocupar.
-Mas a irmã dela está com ela e se você não se lembra, ela me odeia e gosta do Efron. Com certeza deve está apoiando uma possível volta entre eles.
-Isso não está ao seu alcance. –Victoria resmungou. –Pare de se preocupar, isso só acelera o seu coração que consequentemente afeta...
-O meu cérebro, eu sei. Eu não me importo.
-Pois deveria.
-Não estou com paciência para discussões, quero que você me distraia.
-Porquê o senhor não toma um dos calmantes que lhe dei para dormir?
-Não quero depender de remédios, muito menos de tarja preta.
-Uma vez não faz mal.
-Eu não quero.
-Para que aceitou então?
-Pra você calar a boca. Eu não tomo nem metade das coisas que você me da.
-É por isso que não tem melhorado quase nada. Seus remédios precisam ser ingeridos diariamente.
-E eu tomo eles... Quando sinto dor.
-Era melhor nem tomar, então. Você brinca com seu organismo desse jeito. –Ele ouviu ela respirar fundo. –Já tomou hoje?
-Alguns.
-Vamos fazer um trato: você toma todos seus remédios diariamente nas horas exatas e faz três refeições completas por um mês e dependendo da sua melhora eu deixo você voltar para os Estados Unidos.
-Eu toparia se não tivesse o "dependendo".
-Mas é necessário. O senhor tem que está em condições.
-Mas você disse que só melhoraria em três meses.
-Com sorte. Normalmente são seis.
-Nada feito. Que tal todos os dias a metade dos medicamentos na hora certa com o apenas duas refeições por um mês mais a garantia de que vou tomar os medicamentos lá?
-Quem me garante que o senhor cumprirá a palavra?
-Só confie em mim.
-É o mesmo que pedir para uma criança segurar um doce e não comer. Nada feito.
-Quem sai perdendo é você. Vou para os Estados Unidos você goste ou não.
-O senhor quer mesmo que eu bloqueie a sua conta?
-Posso comprar uma passagem no nome da empresa.
-Eu saberia.
-Não se eu viajasse no jato da empresa até a Europa e lá retirasse dinheiro da minha conta conjunta com a Vanessa. Essa você não pode bloquear.
-Mas posso impedir que seu jato saia do aeroporto indiano. Tenho meus contatos, o senhor sabe. Eu não vou deixar o senhor se matar. Minha ultima oferta: um mês e meio se alimentando três vezes por dia tomando todos os medicamentos no horário correto e eu deixaria o senhor embarcar com a esperança de que tomasse os remédios lá.
-Tem um "mas" aí, não tem? Você está liberando muito facilmente.
-Não é grande coisa.
-Então diga.
-Que o senhor venha morar comigo durante esse período. Só assim eu vou saber que tomou os medicamentos.
-Você está maluca? Se eu sair daqui dizendo que estou indo morar com outra mulher eu sou expulso e aí sim a Vanessa arranja outro.
-É só não dizer.
-O Magan é meu sócio, ele vai saber que eu me mudei. Não posso fazer isso. É o mesmo que abandonar a casa e depois pedir pra voltar. Eles não vão aceitar.
-Então subimos o prazo para dois meses com a viagem garantida se o senhor tiver uma melhora superior a 50%.
-Você está me manipulando, não é? Sabia que eu não iria.
-Mas que calunia! Eu não seria capaz de pensar uma coisa dessas. –Victoria exclamou. –Então, o que me diz?
-Amanhã eu lhe dou a reposta.
-Muito bem. Boa noite, senhor Crawford.
-Boa noite, Victoria. –Ele desligou.

Chace sorriu. Victoria era boa em fazer acordos. Ela era boa em tudo o que fazia, na verdade. Até cozinhar ela cozinhava. Ela estava mostrando ser a esposa que sua mãe sempre disse que ele deveria ter e ele estava mais do que empenhado de impedir que elas se conhecessem. Dana com certeza ia começar a inferniza-lo até ele fazer a troca, o que não ia acontecer.

Ah, Vanessa. O que ela estaria fazendo? Será que pensava nele? Como sentia falta da esposa; arrependimento também. Ele não tinha voltado pelo dinheiro, mas ninguém acreditava. Chace tinha aberto os exames e sabia que precisava sair de perto da esposa antes de outra recaída. As dores estavam cada vez mais frequentes e ele poderia até desmaiar, consequentemente indo para um hospital e o médico logo falaria. Como ele queria voltar, mas tinha que esperar. Por mais que brigasse com a médica "barra" secretaria, ele sabia que ela estava certa.

Ele ia aceitar o acordo de dois meses e como garantia, decidiu comprar uma passagem. Estava quase se levantando para pegar o notebook quando seu celular apitou. Era uma mensagem automática do banco avisando que a sua conta estava temporariamente bloqueada. E ela tinha cumprido a ameaça.

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Hey girls. Como vão? Como expliquei em Bring The Pain, eu tinha o capítulo pronto há tempos, mas não lembrava de postar. Culpem a leitura. Perdoem minha falha. Só tem um comentário, mas estou em falta com vocês. Eu quero terminar logo essa fic para começar outra que eu tenho em mente me baseando no que eu li há algum tempo atrás. Bem, espero mais comentários dessa vez. Julie, não se preocupe antes da hora haha.
Enjoy Xx

domingo, 21 de dezembro de 2014

Capítulo 38

-Nossa, esse lugar é lindo. –Z disse. –Você me superou.
-Que bom que gostou, fiz o melhor que pude.
-Eu não mereço isso.
-Não merece mesmo, mas eu não guardo rancor e agradeça por isso. Você me abandonou e o que merece de verdade é comida estragada na cara.
-Que bom que você não guarda rancor. –Ironizou. –Eu tive meus motivos, já lhe disse.
-Mas nunca me disse quais são eles.
-Isso é passado, esquece isso. Estamos aqui pelo futuro não é?
-Sim, desculpe.
-Não precisa se desculpar. Se estivesse no seu lugar, faria o mesmo. Eu só quero esquecer essa parte da nossa vida. Foi um erro, não importa o motivo e eu me arrependo. Pedi sua evolução de menina para mulher, perdi a melhor parte da sua vida.
-Melhor para quem? Eu sofri tanto. Não posso ser egoísta e falar: ele só me fez chorar. Eu fui feliz, fui amada e amei também, mas doeu muito. Abri mão de tanta coisa que era importante pra mim e ele também, mas isso não diminui minha dor. Perdi parte do crescimento da Stella, perdi contato com meus amigos e deixei minha vida estagnada por um casamento que estava na cara que não ia dar certo desde o início. 
"Éramos dois desconhecidos que estavam se deixando levar pelo momento. Eu tinha raiva e rancor e por isso aceitei tudo o que ele me propôs e ele... Eu não sei o que ele viu em mim, sinceramente. A família dele me detesta, me vê como uma aproveitadora. Sou totalmente o oposto e mais um pouco de todas as ex namoradas dele. Todas altas, magras, loiras de olhos claros, finas, elegantes e de família nobre. Eu não tenho vergonha da minha família, mas não ganharemos na vida inteira o que eles ganham por mês. É absurdo. Nunca fui aceita e nunca serei. É isso que me machuca: eu sei o que ele passou por mim e me sinto uma egoísta por largar tudo por pensar em mim, mas no fundo eu sei que não é errado. Estou pensando em mim pela primeira vez em anos. Fazendo algo por mim por que eu quero. Eu quero ser feliz e não da mais com ele.
-Você o ama?
-Amo, mas não da mais. Passei a semana inteira colocando na balança os momentos bons e os ruins e cheguei a conclusão de que não da. Eu não me vejo mais com ele. Preciso de mais e ele não pode me dar. Não me vejo mais morando na Índia e ficando o dia inteiro em casa esperando por ele para poder finalmente dialogar com alguém. Minha vida se resumiu a isso durante três anos: sexo, brigas, sexo, brigas, mais sexo e mais brigas. Era só isso que acontecia. Não viajávamos, não passeávamos e raramente ele me levava nos jantares da empresa, e eu nem fazia questão.
-Acha que ele já te traiu alguma vez?
-Não, eu sei que isso ele é incapaz de fazer. Eu tenho plena confiança nele, de verdade. Pode parecer estupidez já que ele viaja muito, mas eu confio. Ele sabe o quanto a mãe dele sofreu com isso e ele já confessou que se um dia pensasse em ficar com outra mulher, ele me largaria. Ele tem integridade e essa é uma das coisas que eu admiro nele.
-Você tem certeza de que não prefere tentar mais uma vez?
-Não vai acontecer nada de novo, Zac, e eu cansei. Quero viver a vida. Me prendi muito cedo. Foi bom, mas eu preciso de liberdade.
-Então não vai funcionar com a gente. Você acha mesmo que eu vou te deixar livre por aí?
-Mas com certeza não vai me pedir em casamento com apenas duas semanas de namoro e me levar para o outro lado do mundo.
-Não, claro que não. Talvez três...
-Bobo. O beijou levemente. –Promete que não vai me deixar cair?
-Se você cair, eu te seguro.
-Eu tenho medo. –Ela disse depois de um tempo. –Eu sei que você vai está sempre pra mim, mas será que eu vou?
-Eu já disse que quero correr o risco.
-Depois não me culpe se eu falhar, ou melhor: quando eu falhar, por que vai acontecer.
-Eu sei que vai, mas tenho as costas largas. Posso aguentar firme.
-Mesmo assim: não quero te magoar e vou fazer de tudo para que isso não aconteça, mas eu sinto que vai acontecer. Em algum momento eu vou te machucar e você não vai querer me vê nem pintada de ouro.
-Vanessa, não se preocupe tanto; vai acabar envelhecendo. –Sorriu. –O que tiver de ser, será. Se for para ficarmos juntos, nós vamos ficar e estará tudo bem, mas se for para você voltar com o Chace, você vai voltar e tudo ficará bem também. O futuro a Deus pertence, não a nós. Apenas aproveite o nosso momento como eu estou fazendo.
-Você tem razão. –Zac se aproximou para depositar um beijo na bochecha da morena, que desviou.
-O que foi?
-Olha, eu acho muito fofo esses beijos na bochecha que são típicos de crianças... –Ele riu. –Não tem graça. Nós temos que curtir, não é?
-É estranho para mim. Semana passada você estava beijando o Chace e...
-Nós não estamos mais juntos, Zac.
-Mas continuam casados e outra, ele nem sabe que vocês vão se divorciar.
-Isso é questão de tempo. Estou arrumando toda a papelada para depois da entrada no divórcio. A Ashley fez um bom trabalho, mas exigiu metade do patrimônio dele na separação de bens. Eu não quero nada, sem contar que ele me daria tudo; eu o conheço.
-É a cara dele fazer isso.
-Exatamente! Pode parecer estranho, mas nós tivemos algumas conversas a respeito de como seria caso nos separássemos algum dia. Ele prometeu que passaria até o que não é dele para o meu nome, afinal, ele nunca iria me da o divórcio. Vai ser uma batalha interminável. –V confessou cansada. –Não sei se você aguenta.
-Eu já disse que tenho as costas largas. Se preocupe com você. Eu posso aguentar firme, pode acreditar.
-Eu já disse que adoro você?
-Não nas ultimas quatro horas. –Disse sorrindo.
-Mas eu adoro, e muito.
-Eu também, baby, eu também. –A beijou levemente nos lábios. 

Sabia que ela estava passando por um momento difícil e ele precisava passar segurança para ela, mas eles não podiam avançar sem antes esclarecer todas as dúvidas. Ela planejava dar entrada no divórcio e isso já era um avanço, porém ainda usava o anel de noivado. Vanessa estava tentando, era óbvio, só que querendo ou não, também estava claro que ela ainda estava dividida. Zac sabia que se não desse certo entre eles, ela voltaria com o marido e ele não poderia culpa-la. Pedia silenciosamente para que desse certo e ele não precisasse ser obrigado a contemplar Chace saindo vitorioso mais uma vez.

[...]

-Essa é uma das coisas mais bonitas que eu já vi na minha vida. –V confessou se acomodando. Eles estavam abraçados enquanto observavam o céu estrelado. Depois da conversa que tiveram no jantar, Zac tinha feito de tudo para assegura-la de que tudo ficaria bem e parecia ter funcionado. Ela estava mais solta e divertida do que no almoço, confiante também. –Queria poder registrar o momento.
-Não trouxe o celular?
-Não. Com toda a certeza a Miley daria um jeito de rastrear o aparelho e nos encontraria, se bem que ela não precisa de muito. 
-Se ela não estivesse tão cansada com toda a certeza já teria nos encontrado. Não estamos nem a quinhentos metros do hotel.
-Digamos que fiz de propósito. –Confessou. –Conversei com o cara lá de cima e pedi uma prova de que não estou fazendo nada de errado: se fosse pra ser, elas não iriam nos encontrar. Como que confirmação, o meu plano de velejarmos fracassou e só me restou esse piquenique e veja só: nenhum sinal de Ashley ou Stella.
-Graças a Deus. –A beijou. –Eu queria te fazer uma pergunta, mas não sei se devo.
-O que foi? –Ele se sentou e ela logo ficou tensa. Devia ser algo sério.
-Porque você ainda usa seu anel de noivado? Seja sincera.
-Estava esperando que perguntasse e sinceramente, eu não sei. Quer dizer, eu sei. Me sinto nua sem ele. Juro que tentei usar outros com o mesmo peso, mas não da. Eu preciso me acostumar eu sei, mas não consigo. Foram três anos sem tirar para nada. É complicado.
-Bem, pelo menos é o antigo e não o novo.
-Era muito extravagante e nem tive tempo de me acostumar com ele. Só usava porque Chace exigia. –Suspirou. Falar do futuro ex marido lhe dava dores de cabeça. –Se você se incomoda, eu tiro. Preciso me adaptar mesmo.
-Se você se sente bem com ele, continue usando. Era só uma dúvida.
-Mas Zac...
-Não se preocupe comigo, ainda não temos nada. Pelo menos não oficialmente.
-Mas eu não quero que você me peça em namoro enquanto estou com ele. –Tirou o anel. –Aqui, faça o que bem entender. –Lhe entregou a joia.
-Vanessa, é seu.
-Estou lhe dando para fazer o que bem entende. Vamos, jogue no mar ou enterre na areia, não sei. Faça o que achar melhor.
-Tem certeza?
-Absoluta. Não quero que nada dê errado por conta de um anel. Se livre dele e depois voltaremos a aproveitar nossa noite.
-Sexo na praia pode ser um pouco desconfortável.
-E como é que o senhor sabe disso, hein, Efron?
-O Alex que me disse.
-Alex, sei. –O beijou carinhosamente.

Ele tomou coragem e se levantou. A joia brilhava em contraste com a lua. Devia ter custado uma fortuna. A pedra do solitário tinha o formato de um coração e o ouro tinha a coloração rosé, o que valorizava mais a peça. Chace tinha bom gosto, não podia negar. Enterrar na areia seria um disperdicio, sem contar que logo encontrariam.

-E se vocês voltarem?
-Eu tenho o outro anel.
-Mas em algum momento ele vai sentir falta.
-Eu digo que me livrei dele, que estava com raiva. Não importa; eu não pretendo voltar com ele. Quero você!
-Posso fazer o que quiser?
-Com certeza.
-Você quem falou. –Tomou impulso e jogou no mar. Ela arfou em surpresa, mas logo sorriu. –Arrependida?
-Muito. Devia ter trago o celular. Esse momento deveria ter sido registrado.
-E agora, sexo na praia?
-Podemos da um mergulho antes?
-Quer tentar encontrar a joia?
-Estou mais interessada nas preliminares aquáticas. –Falou retirando o vestido revelando a lingerie de renda azulada que usava e logo correu em direção ao mar e Zac não conseguiu conter o riso. Ou ela estava muito feliz ou muito bêbada. Com toda a certeza, era a segunda opção. Não que ele se importasse, lógico. Estavam no mesmo nível. 

[...]

-Eu adoro você, muito mesmo. De verdade, eu te adoro. –V dizia entre beijos.
-Eu também te adoro, mas não podemos continuar. Não aqui.
-Mas...
-Se pegarem a gente, estaremos ferrados.
-Não podemos voltar para o hotel, elas estão esperando. Eu quero ficar com você.
-Eu também, mas não podemos fazer isso aqui. –Ele disse conseguindo se separar dela. –Podemos procurar uma cabana, não sei, mas aqui não.
-Não podemos passar a noite em algum outro quarto? Duvido muito que elas estejam na porta de entrada.
-Nunca duvide de Ashley Tisdale. –Disse colocando a camisa úmida no ombro. Deveria ter tirado antes de entrar no mar. –Podemos deixar para outra hora.
-Não, eu quero você agora. Eu sei que parece precipitado...
-E é!
-Mas eu não me importo. Eu quero fazer isso, me parece o certo a se fazer.
-Se não acharmos outro lugar, não poderemos ficar juntos.
-Você não quer, não é?
-Não é isso. Eu quero tanto quanto você, mas não me parece certo porque primeiro: não temos um compromisso sólido; segundo: você ainda é casada e; terceiro: estamos bêbados. –Disse se levantando.
-Primeiro: não me importo de não termos um compromisso, eu quero você de qualquer maneira; segundo: estou em processo de separação; terceiro: a bebedeira não está influenciando nada. Sai do hotel com esse pensamento.
-De transar na praia?
-De me entregar a você. É a única forma que eu vejo de te mostrar que é sério. Você não está totalmente confiante nisso, mas eu sim. Por favor, eu quero que meu esforço valha a pena.
-Eu não sei.
-Por favor, quase rolou quando eu ainda estava com o Chace. –Relembrou-o.
-Estávamos bêbados e fomos interrompidos.
-E dai? O quarto estava trancado e ninguém precisaria saber de nada. Não aconteceu porque os dois não queriam, a interrupção não durou dez segundos. –Disse se levantando ficando de frente pra ele. –Eu tenho certeza do que eu quero. –Ele suspirou. Sabia que dependia dele não somente a transa, mas o relacionamento inteiro.

Se aceitasse, ele estaria dizendo sim a um relacionamento com uma mulher casada, estaria aceitando ser o outro, o amante, por tempo indeterminado. Se negasse, estaria colocando um ponto final em uma história de amor que ainda não havia saído da primeira linha. Precisava de tempo, mas isso ele também não tinha.

-Que se dane, vamos atrás de um quarto. –Disse pegando Vanessa no colo que logo comemorou. Pela primeira vez na vida ele estava se arriscando por uma mulher. Sabia que a cada passo que dava a sua integridade era deixada de lado e ele teve que se controlar para não voltar atrás. Estavam juntos nessa, fazendo o que o coração mandava sem pensar duas vezes. Esse era o estilo de vida de Alex e funcionava bem para o amigo, mas será que também funcionaria para ele?

[...]



-Em que está pensando? –Ela perguntou. Ele estava calado desde que tinham terminado, parecia que estava em choque.
-Nada. –Suspirou. –É tudo muito novo e surreal. Preciso me adaptar a essa nova fase.
-Que fase? De comprometido? –Sorriu.
-De amante. –Falou. –Não se ofenda, mas é isso que eu sou.
-Zac!
-Vanessa, não podemos fugir dos fatos. O que aconteceu foi absurdamente gostoso, você é incrível; mas não podemos fazer isso de novo. Não até você está legalmente livre.
-Eu não entendo. Porquê você não deixa rolar? É tão simples.
-Pra você, talvez.
-Eu sou a casada aqui, lembra?
-Como se eu pudesse esquecer... E não me olhe assim, você sabe que foi errado.
-Eu adulterei perante a lei, mas e dai?
-Não somente perante a lei, mas a Deus também. Acha que Ele não viu?
-Quando foi que você ficou tão religioso?
-Não é questão de ser religioso, mas sim sensato.
-Ok, Zac. Você está arrependido, mas eu não tenho culpa. Era só você ter dito "não".
-E você logo correria para os braços dele. –Bufou. –Eu não estou arrependido, eu gostei e muito, mas não pode acontecer novamente. Não até o divórcio sair.
-Se você insiste.
-Não podemos ser irresponsáveis. Já pensou se você engravida? Ele alegaria ser o pai e me mataria quando o resultado saísse.
-Deus me livre. Eu não gosto de crianças, você sabe disso. –Disse se levantando. –Tomo os devidos cuidados para que isso nunca aconteça.
-Mas você planejava engravidar.
-Caso ele trouxesse uma filial e ele deixou bem claro que não vai acontecer; pois também nada de feto.
-Feto. –Repetiu. –Porquê tanta frieza?
-Não é frieza, só que isso não é pra mim. Não me vejo como mãe.
-Se Deus te fez mulher...
-Lá vem você de novo. –Disse revirando os olhos. –Deus sabe o que faz. Se algum dia eu engravidar, vai ser por que Ele quer por que eu não vou deixar de tomar pílula.
-Isso é por causa dos abortos?
-Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Eu já detestava criança antes mesmo de abortar. Engravidei sem planejar e se perdi foi porque não era pra ser.
-Mas na terceira vez...
-Eu me animei sim, mas também não foi planejado. Eu posso detestar crianças, mas não tenho coragem de tirar. Nem se fosse um estupro, eu não tenho esse direito.
-Eu quero ter filhos, no mínimo dois. –Falou sorrindo. Sempre havia planejado formar uma família grande. Queria sete filhos: quatro homens e três mulheres, mas não queria assusta-la.
-E eu queria ser divorciada. –Reclamou. –Foi tão bom e eu quero repetir, mas você disse que não vai acontecer.
-E não vai mesmo.
-Mas já fizemos uma vez, outra não faria diferença.
-Faria sim.
-Zac!
-Vanessa, eu não sou uma máquina de fazer sexo e outra, já disse que não.
-Por favor, ninguém precisa saber.
-Não.
-Mas você disse "sexo" e eu quero fazer amor.
-Eu também queria, mas você insistiu algo mais selvagem.
-Foi o calor do momento.
-Que bom. Guarde bem nas suas lembranças porque nada de sexo até sair toda a papelada.
-Pode demorar.
-Eu me aguento.
-Mas eu não. –Disse pulado em cima dele. –Rapidinho.
-Se eu soubesse eu você ficaria assim, não tinha nem aberto o vinho.
-Por favor, eu sei que você quer. –Disse sorrindo. –Juro que será a ultima vez que peço.
-Vanessa...
-Eu quero fazer amor com você, nada de sexo. Vamos! Eu sempre quis fazer amor com você. –Disse mexendo no cabelo dele. –Não me olhe como se eu fosse uma ninfomaníaca, estou falando sério. Amor e sexo são bem diferentes.
-Eu sei.
-Vamos, juro que te deixo em paz.
-Só essa vez?
-Só essa. –Garantiu.
-Argh! O que é que você tem que me faz ficar de quatro por você? –Questionou ficando por cima dela.
-Também queria saber o que você viu em mim. –Confessou antes de depositar um beijo suave nos lábios dele. –É muito cedo pra dizer que te amo?
-Cedo deve ser para dizer que não me vejo mais sem você. Preciso de você.
-Não mais do que eu. –E nada mais precisou ser dito. 
Fizeram amor em silêncio: elogios, promessas de amor eterno ou qualquer jura de fidelidade foram pronunciadas. Somente trocas de olhares e toques que já falavam por si só: eles se amavam e era suficiente; pelo menos por enquanto.

[...]

-Acorda. –V escutou enquanto sentiu beliscadas leves na barriga. –Já passou da hora.
-Ah não. Minha cabeça está doendo.
-Eu imagino. Bebeu uma garrafa toda sozinha.
-E a outra foi por sua conta. –Disse tateando a procura do cobertor. –Onde é que estamos?
-Não faço a menor ideia.
-Zac. –Ela se levantou as pressas e ele riu.
-Estamos em um barco atracado. Vamos, os donos já devem está chegando.
-E minhas roupas?
-No chão. –Ela respirou fundo.

Lembrava-se de muito pouco da noite anterior. Sabia que ele havia jogado seu anel de noivado no mar e que eles haviam transado. Bendito era o anticoncepcional. Se não queria um filho de Chace, quem dirá de Zac. Ele era tão meloso e a criança com certeza tomaria seu lugar. "Bem, quem se importa? Não vai acontecer" pensou enquanto se vestia. Ela sabia que precisava correr ou então não tomaria o medicamento a tempo.

-Que horas são?
-Onze e vinte.
-O que? –Maldição.
-Onze e vinte. Onze horas e vinte minutos.
-Zac, porque você não me acordou antes?
-Eu também acordei agora.
-Ah droga!
-E qual é o problema?
-O problema é que eu queria aproveitar meu dia. –Mentiu e ele não acreditou, mas nada disse a esse respeito.
-Bem, vamos? Temos que infrentar algumas feras.
-Nem me lembre. –Disse pegando as sandálias. Desceram do barco e correram para o hotel. –Ah meu Deus, elas estão ali.
-É agora ou nunca.
-Nunca, eu escolho nunca.
-Vanessa Anne Hudgens Crawford, aonde foi que você se meteu? –Ashley berrou no saguão chamando a atenção dos hóspedes.
-Bom dia, baby. –Falou soltando a mão de Zac.
-Bom dia? Tem certeza? Boa tarde seria mais apropriado. –Stella disse. –Você e o senhor Efron aí tem muito o que explicar.
-Eu? –Z se fez de desentendido.
-Sim, você. Como que vocês somem sem avisar? –Miley perguntou.
-Que eu saiba, a minha mãe se chama Starla e ela está do outro lado do país, então se me dão licença eu preciso de um banho. Até logo. –Depositou um beijo rápido nos lábios de Vanessa e entrou no elevador.
-Ah meu Deus, vocês se acertaram? –Ashley foi a primeira a gritar.
-Pare de fazer isso, está chamando a atenção e sim, nos entendemos. –Sorriu.
-E foi por isso que passaram a noite fora? Porquê não avisou? Quase nos matou de preocupação. E a Nina, aonde se meteu?
-Stella, calma. Eu vou subir, preciso de um banho. Explico tudo assim que terminar.
-E nós vamos com você. –Miley disse de prontidão. –Acha mesmo que vamos te deixar sozinha depois desse sumiço?

Vanessa revirou os olhos e ficou esperando o elevador chegar. As meninas faziam perguntas e ela só ignorava. Não ia responder nada enquanto não estivesse na privacidade do seu quarto.
Assim que entrou no mesmo, foi bombardeada com novas perguntas.

-Meninas, calma. Eu vou tomar um banho rápido e já volto pra responder. Podem, por gentileza, pedir alguma coisa pra comer? E remédio para dor de cabeça, por favor.
-Claro. –Ashley respondeu e ela logo se trancou no banheiro. 

Tomou uma ducha pra tirar toda a areia do corpo e lavou os cabelos. Parecia que não tomava banho há anos. Sentiu uma leve ardência nas partes íntimas e logo se lembrou da pílula. Precisava tomar algum anticoncepcional e rápido, se bem que achava ter visto camisinhas usadas no lixeiro que tinha no canto do barco. "Melhor prevenir" pensou se enxugando.
O ardor estava aumentando, mas resolveu ignorar. Tinha uma consulta marcada para a semana seguinte e se continuasse, o médico passaria algum remédio. "Deve ser alergia a areia" pensou saindo do quarto.

-Então, podemos perguntar agora? –Stella perguntou.
-Posso me vestir primeiro?
-Pode sim. –Miley disse. –Stella, coopere. Se ela se irritar, não vai desembuchar.
-Vocês são muito idiotas. –V disse rindo. Colocou uma camiseta básica e uma calça de moletom.
-Não colocou calcinha por quê? Está muito machucada?
-Miley Ray Cyrus! –Ashley exclamou.
-O que? Só quero saber.
-Estou com dor, somente isso. –V respondeu.
-Hummmm. 
-Não por isso, sua intrometida. Só ardeu um pouco no banho, acho que é alergia a areia.
-Coisa que você nunca teve. –Stella disse.
-Ardência depois ou durante?
-Durante.
-Você era virgem? –Demi riu. –Aconteceu o mesmo comigo quando perdi a virgindade.
-Ah era, há três anos. –Revirou os olhos. –Eu entrei no mar e depois me deitei na beira da praia, então acho que entrou areia no lugar errado. Mas enfim, vamos logo ao que interessa porque estou cansada.
-Calma, o Cheyne foi buscar comida.
-E os outros?
-Bem, o Alex desapareceu durante a noite, mas antes de descer eu vi que ele já estava no quarto dele. Deve te se envolvido com alguém.
-Isso com certeza.
-E a Nina nós não sabemos, nem o Ian. O quarto está trancado.
-Eu também não sei deles. Não estávamos juntos. –A porta se abriu e Cheyne logo se acomodou. Vanessa devorou sua macarronada em cinco minutos.
-Você já tomou banho e já comeu, agora desembuche. –Ashley disse jogando o que tinha sobrado no lixo.
-O que querem saber?
-Por quê fugiu ontem?
-Eu tinha um encontro marcado com o Zac, íamos jantar juntos, mas vocês marcaram a reunião de ultima hora e eu precisei fugir.
-Podia ter avisado. –Stella disse. –Fiquei preocupada.
-Se eu avisasse vocês iam querer nos seguir, tenho certeza e bem, eu queria privacidade.
-E aí, como se acertaram? –Demi quis saber.
-Eu não lembro de muita coisa já que me embriaguei...
-Porque você se embriagou?
-Eu achei que ele ia me dizer não, estava com medo. Bem, nós conversamos sobre o Chace e meus sentimentos. Eu o amo, não posso negar.
-Vanessa!
-Ashley, eu precisava ser sincera. Ele entendeu que eu ainda amo meu marido, mas que eu não quero mais ele. Nos entendemos graças a isso. Demos um mergulho e depois de alguma forma, que eu não me lembro bem, fomos parar em um barco e acabou rolando.
-E ele te pediu em namoro quando? Você pulou essa parte.
-Eu não pulei, ele ainda não pediu. Combinamos que iríamos aproveitar o momento e bem, não vai acontecer de novo. Ele quer que eu me divorcie primeiro antes de firmar algo.
-E como foi a transa?
-Fizemos amor.
-Sei. Você fica muito saidinha quando está bêbada.
-Eu me controlei, eu acho.
-Aham, sei.
-Bem é isso, nós estamos de bem.
-Pelo menos valeu a pena.
-E muito.
-Mas não faça mais isso ou eu te mato. –Stella disse pulando em cima da irmã.
-Eu não queria preocupar vocês, mas eu tinha que fazer. Me desculpem.
-Só porque deu tudo certo. –Ashley disse a abraçando.
-Usaram camisinha? –Cheyne perguntou.
-Acredito que sim, vi umas jogadas no lixo. Bem, preciso dormir. Quando a Nina aparecer, digam que preciso falar com ela.
-Pode deixar.
-Boa noite, Cinderela.

[...]

-Aí meu Deus, você encheu a cara e transou com seu ex namorado no barco de um desconhecido? –Nina berrou.
-Nina, por favor, menos.
-Vanessa, foi isso o que aconteceu. Só que você disse com outras palavras.
-Enfim, eu preciso de anticoncepcional. Não lembro se ele usou camisinha e eu não encontro minhas pílulas.
-Você não trouxe suas pílulas, lembra? Conversamos sobre isso e você disse que tinha parado pra deixar descer.
-Mas Nina, ainda não desceu.
-Vai descer, relaxa.
-Mesmo assim, eu preciso.
-Eu tenho, mas não sei se vai funcionar.
-Vai sim, e eu vou tomar a do dia seguinte de qualquer modo.
-Qual o problema de engravidar?
-Eu não quero.
-Tudo bem, vou buscar. –Nina disse saindo e em dois minutos já estava de volta. –Por quê você não pergunta pra ele se ele usou?
-Por que você não pergunta?
-Que estressadinha.
-Desculpe. É que eu preciso dormir. As meninas ficaram conversando aqui e não consegui descansar. Não quero chegar em L.A. com cara de morta.
-Você vai mesmo voltar para a Califórnia? Porquê não vai logo para a casa dos seus pais?
-Preciso arrumar minhas coisas. Não tenho roupa apropriada pra ir pra Salinas. Vou passar uns dias lá e depois vou pros meus pais. Preciso ficar com o Zac também.
-Vocês estão finalmente juntos, que incrível.
-Eu sei.
-Viu? Eu disse que era só questão de rolar beijos.
-E álcool.
-Não, ele gosta de você de verdade.
-Eu sei, também gosto. –Disse apaixonada. –E você, aonde esteve?
-Fomos da um passeio em uma ilha e ficamos por lá mesmo. –Sorriu. –Tinha uma cabaninha bem arrumadinha.
-E como foi?
-Foi ótimo. A melhor noite da minha vida. Eu o amo.
-Ele parece sentir o mesmo. Fico feliz por vocês.
-E pensar que eu achei que ele já gostou de você.
-De mim? Acho que não. Ele sempre me pareceu apaixonado por você.
-Bem, foi um pensamento bobo. Então, vamos descer pra jantar? Temos que pegar o avião logo em seguida.
-Ah não, eu amei esse lugar.
-Eu também. –Fez beicinho. -Podemos fazer um casamento duplo aqui já que marcou nossas vidas.
-Não quero saber de casamento tão cedo. –V disse. –Vou me arrumar.
-Certo.

[...]

-Então vocês estão finalmente juntos? –Alex perguntou.
-Sim. –V sorriu.
-Fico feliz. Espero que o divórcio saia logo.
-Eu também.
-Mas não vai sair. –Miley disse. –Deculpem, mas eu sou realista. Ele não vai desistir tão facilmente.
-Não vamos pensar nisso agora, baby. –Z pediu. –A noite é para comemorações. Na hora certa nós pensamos nisso.
-Vocês quem sabe. Estou aqui para testemunhar. –Disse sorrindo.
-Estou com tanto sono. –V disse.
-Deve ter sido o remédio pra dor de cabeça que você tomou. –Ashley disse.
-Acho mais provável ser a noite não dormida.
-Alex! –V exclamou.
-Ah por favor. O Zac está com o pescoço todo marcado, então não finjam; não perto de mim. Sou perito nisso.
-Ok, senhor perito. Onde passou a noite?
-Na cabana de alguém.
-Nome?
-Não sei o nome dela.
-Você não presta.
-E você é adúltera.
-Alex, por favor. –Ashley disse. Sabia que era brincadeira da parte do amigo, mas afetou V.
-Tudo bem, baby. Ele está certo. Adulterei e não me arrependo. Ele deve fazer o mesmo com a secretária.
-Mas você me disse...
-A quem queremos enganar? Eles passam a maior parte do tempo juntos. Não sou boba. Conheço Chace e ela com certeza deve ser bonita. Bem, não me importo.

O jantar ficou com um clima pesado e eles comeram em silêncio. Depois cada um foi para seu quarto terminar de se aprontar para a viagem de volta.

-Vanessa, me desculpe. Eu só quis brincar e passei dos limites. –Alex disse assim que a viu.
-Tudo bem, você não mentiu.
-Eu sei, mas isso não é da minha conta.
-O Zac que te mandou aqui não foi?
-Foi, mas ele está certo. O que eu fiz foi errado.
-Não se preocupe, eu sei porque você fez isso. A verdade!
-Sabe?
-Sim. Você sabe que eu disse que você não prestava por ter traído a mulher misteriosa e não por não saber o nome da garota com quem passou a noite. Você só quis pagar na mesma moeda.
-Bem, desculpe sim?
-Está desculpado.
-Adoro você, baby. –A abraçou.
-Eu também.

[...]

-Enfim lar doce lar. –Alex disse assim que entrou em casa.
-Bem, eu vou indo com a Stella.
-Não quer se juntar a nós? Uma taça de vinho.
-Não, obrigada. Deixo para a próxima. Da ultima vez que tomei vinho, acordei sem saber aonde estava. –V disse indo abraçar Z. –Nos vemos mais tarde?
-Claro. –A beijou.
-Que lindos. -Miley disse. –Não se empolguem, viu?
-Não se preocupe. –V se afastou e chamou Nina para ir no banheiro com ela. –Só preciso retocar minha maquiagem, já voltamos.
-Você nem está maquiada, o que quer que eu faça? –Nina perguntou assim que Vanessa trancou a porta do banheiro.
-Preciso achar a pílula do dia seguinte.
-Você ainda está com isso na cabeça? Não basta meu anticoncepcional?
-Podemos tomar a mesma marca, mas mesmo assim quero me prevenir. –Disse revirando as gavetas.
-E como você sabe que tem isso aqui? Ele é homem.
-Ele é o Alex, é lógico que tem. Essa casa parece um bordel durante a noite. Será que é isso? –Perguntou erguendo um frasco.
-Deixa eu vê. –Nina leu o rótulo e devolveu pra ela. –Sim, é isso. Tem certeza?
-Claro que tenho. O esperma demora três dias pra chegar lá e só se passaram horas. Isso só vai fazer meu ovário se desmanchar logo. –Disse abrindo o frasco.
-Vai tomar dois?
-Não, um agora e outro depois. Não é assim?
-E eu sei lá? Nunca tomei isso.
-E nem eu. –Disse tirando o celular do bolso.
-Vai ligar pra quem?
-Pra ninguém. Vou fazer uma pesquisa rápida. –Depois de fazer umas pesquisas com o nome do remédio, Vanessa guardou o aparelho. –Daqui doze horas preciso tomar a outra pílula. Já agendei, agora para prevenir de verdade...
-Ah não, o que você vai fazer?
-Só vou procurar um calmante. Isso destrói qualquer tipo de corpo estranho.
-Pode anular esses remédios.
-Não anula. Não se for tarja preta. –Disse abrindo outra gaveta. –Esse aqui principalmente. Alex me confessou que tem problemas pra dormir.
-Bem, toma logo e vamos embora. Devem estar esperando. –V engoliu a pílula enquanto Nina negava com a cabeça. "Essa aí vai ser daquelas que quando engravidam ficam melosas com a criança. Vai morder a língua feio" pensou saindo do banheiro.
-No que você pensa?
-Em nada. –Disse e Vanessa deu de ombros. Se despediu de todos juntamente com a Stella e dirigiu em direção ao apartamento. O lugar estava limpo e organizado. Com certeza Julie tinha passado por ali. Haviam três buquetes de rosas vermelhas no balcão da cozinha, rosas murchas, e ela perguntou-se a quanto tempo o porteiro as tinha colocado ali. Devia ser um por dia já que a coloração era diferente. Pegou uma sacola onde enfiou as rosas e saiu em direção a portaria. Passou pelo porteiro e jogou o saco na caçamba que ficava do outro lado da rua. Entrou novamente no prédio e perguntou se tinha algum recado. O porteiro disse que não, que só o marido tinha ligado pra perguntar se ela já tinha aparecido e ela agradeceu. Entrou no apartamento fervendo.

-O que foi? –Stella perguntou com uma taça de sorvete na mão.
-Ele está me controlando, de novo.
-Bem, você tem que aguentar. Só viajamos na quinta.
-Eu sei. Porque segundas são tão longas?
-O dia mal amanheceu, Vanessa.
-Preciso me distrair.
-Vamos tirar um cochilo. A viagem acabou comigo.
-Eu tenho que resolver uns assuntos. –Disse olhando o relógio. Ainda devia dar tempo.
-Não precisa mentir pra mim, você vai vê o Zac.
-Como é? –Riu.
-Eu pensei bem e cheguei a conclusão de que você está indo vê o Zac as escondidas.
-É isso o que você acha?
-Sim. Lamento informar, mas ele ainda deve está na casa do Alex.
-Sim, deve. E você se enganou. Estou resolvendo minha vida, mas não tem nada a vê com seu cunhado favorito. Bem, vou indo. Qualquer coisa estou com o celular.
-Ok, aproveite seu rolo. Tome cuidado com os paparazzi. Aqui não é Islamorada, eles estão por aí.
-Eu sei, não se preocupe. Já disse que não vou falar com o Zac.
-Tudo bem, divirta-se. –Desejou e Vanessa se controlou para não rir. Ah como queria realmente vê o amado, mas tinha outras coisas para fazer. 

Passou no escritório do advogado e descobriu que ele tinha ido viajar de ultima hora. Droga! Com certeza Chace tinha algo a vê com isso. Já devia saber. Patrick era muito medroso. Recolheu a cópia de seus documentos e entrou em contato com a Monique para ela passar o número do advogado da empresa. Marcou de se encontrar com ele as cinco e meia da tarde e resolveu dar uma volta para matar o tempo. Dirigiu sem prestar atenção, mas logo se encontrou: estava novamente no parque aonde se encontrava com Zac –e tinha conhecido o atual marido, e lá estava ela, a igreja que parecia capela. Resolveu entrar novamente.

Estavam passando com uma vasilha e ela pensou ser a hora das ofertas. Sentiu-se deslocada já que tinha deixado a bolsa no carro. Algumas crianças estavam na frente cantando uma musiquinha que falava sobre uma pessoa torta e ela riu. Depois, o pastor que ela tinha conhecido iniciou uma oração pelos irmão que ofertaram e os que não puderam. Ela fechou os olhos, mas logo sentiu mãos pequenas cutucando seu braço.

-Pega água pá mim? –Uma criança de no máximo cinco anos pediu. Tinha os olhos verdes e os cabelos enrolados de cor castanha.
-Eu não sei aonde fica o bebedouro. –Respondeu. Não gostava de crianças, mas aquela era de fato linda.
-É ali ó. –Apontou. –É alto, tia.
-Eu não sou irmã nem da sua mãe e nem do seu pai pra ser sua tia. –O repreendeu. –Cade seus pais?
-Não sei.
-Você veio com quem?
-Com minha tia.
-Peça para ela pegar então. Não sabe que é errado falar com estranhos?
-Mas você não é estranha. É muito bonita. Podia ser minha mãe.
-Mas não sou, graças a Deus. E saia daqui. –O menino fez bico e saiu correndo. Vanessa bufou e então sentiu olhares vindo de uma senhora que estava ao seu lado. –O que foi?
-Ele é só uma criança órfã.
-E eu sou visitante.
-Mas é adulta e sabe que o que fez foi errado.
-Só o repreendi. Fiz certo.
-Então porque cruzou os braços? Isso significa que se sente ameaça e quer se proteger.
-A senhora é psicóloga?
-Não, sou observadora. É diferente.
-Eu não gosto de crianças, somente isso.
-Eu também não gosto de cachorros, mas nem por isso apedrejo os que encontro na rua. Você é tão jovem e bonita, devia ser mais cuidadosa.
-Com licença. –Disse saindo. O celular estava tocando e a conversa estava indo para um rumo que ela não queria. Era Chace, novamente. Pensou se atendia para poder terminar tudo oficialmente ou não. Melhor seria quando os papéis chegassem a sua mesa. Ah, ela queria ser uma mosca para poder vê a cara dele. O aparelho parou de tocar e ela pensou que ele tinha desistido até chegar a seguinte mensagem:

"Sinto sua falta. Eu sei que você não vai me atender. Só queria pedir pedir desculpas mais uma vez. Está tudo bem por aí? Aqui está tudo sob controle, acho que estarei aí antes do natal. Te amo."

Bufou! Será que ele não tinha bom senso? Achava mesmo que um "te amo" iria resolver algo? Tratou de responder.

"Vai para o inferno! Eu vou viajar, por isso não me apareça por aqui; não quero ninguém mexendo nas minhas coisas. Ah, não que seja da sua conta (só não quero ninguém me seguindo) mas irei para a casa dos meus pais. Preciso deles. Te odeio."

"Recebeu minhas flores?"

"O porteiro não te contou? Joguei no lixo. Não tente consertar as coisas, não está funcionado e nem vai funcionar. Preciso de um tempo LONGE DE VOCÊ. Preciso colocar a cabeça em ordem. Não me procure. Eu aviso quando for a hora."

"Não esqueça que eu te amo."


Vanessa bufou novamente e precisou se controlar para não jogar o aparelho no chão. Entrou novamente na igrejinha e sentou-se do outro lado, mas a senhora que a repreendeu não estava mais lá. O pastor, que ela deveria ter perguntado o nome, falava sobre perdão. "Devermos perdoar o nosso próximo. Jesus disse 70 vezes 7, o que totaliza 490 vezes. Por dia, viu?" Se ela fosse contar quantas vezes havia perdoado a Chace... Estava com o orgulho ferido e não ia voltar atrás. "Irmãos, orgulho não vem de Deus. Devemos ser puros. Sem rancor, sem ódio. Você pode falar ''mas pastor, fulano só me faz sofrer''. Irmãos, eles são filhos de Deus assim como você, eles erram assim como você. Todo mundo tem aquele defeito que sabe que é errado, mas que não para de fazer por que não consegue. Devemos orar por esses irmãos, pedir a Deus um coração puro. Devemos ser que nem as crianças, limpos e puros de coração, para amá-los apesar de tudo." Será que o pastor estava falando aquilo pra ela? Só podia ser. Mas aquilo era errado. Porque não a chamou em um canto e disse? Pois ela ia responder. "Não da mais, é isso. Eu sei o que passei. Cheguei no meu limite." Esperou a oração final e toda a igreja se esvaziar.

-Ora, quem apareceu. –Ele disse se aproximando dela. –Que bom que veio, Vanessa. 
-Boa noite, pastor. Não tenho muito tempo, tenho um compromisso, mas preciso falar com o senhor.
-Então diga.
-Aqui não, em um lugar mais reservado.
-Então vamos no meu escritório. –Disse a guiando. –Sinta-se a vontade. Quer algo?
-Não, o que eu tenho pra falar é rápido.
-O que houve?
-Primeiro: eu decidi o que vou fazer. Vou me divorciar.
-Tem certeza?
-Tenho. Eu viajei com meus amigos nesse final de semana e bem, aconteceram muitas coisas e eu fiquei com o meu ex. Estamos juntos agora.
-E seu marido?
-Meu marido continua na Índia. Bem, em segundo lugar eu quero dizer que tinha uma senhora do meu lado que me repreendeu. Eu achei que aqui seria o último lugar do mundo em que seria julgada.
-Quem foi?
-Não sei. Ela estava sentada comigo no ultimo banco.
-Mas eu lhe vi durante o culto e você estava sozinha.
-Antes de eu sair.
-Então, antes disso.
-O senhor tem certeza?
-Absoluta.
-Quer dizer que eu sou louca?
-Eu não disse isso. Talvez tenha sido seu inconsciente falando com você. Sua cabeça está bem confusa no momento, então você pode ter imaginado. Você tomou algum medicamento.
-Bem, só uns analgésicos.
-Deve ser isso. E então, a terceira coisa?
-Bem, queria falar que achei errado o que o senhor fez.
-Eu?
-Sim. Se o senhor queria falar sua opinião, devia ter feito isso antes. Não achei certo o senhor ter subido e falado aquilo.
-Mas eu não falei a minha opinião. Falei o que Deus me mandou falar há um tempo atrás. Está na bíblia.
-Então por quê pareceu ser pra mim?
-Por que pode ter sido pra você. Se mexeu com você foi porque Ele quis. Analise sua vida e pense no que a palavra se encaixa.
-No meu casamento.
-Só no casamento?
-E no meu marido. Estou magoada com ele e não vou perdoa-lo.
-Orgulho ferido.
-Exatamente. Eu cansei.
-Eu imagino. Bem, se você tem certeza do que quer fazer e prefere ignorar a palavra, vá em frente. Só que eu te aviso que você colherá depois. Quem planta bons frutos, colhe bons frutos. Quem planta vento, colhe tempestade.
-Meu marido plantou e está colhendo.
-Não queira fazer justiça com suas próprias mãos. Deus quem tem o direito.
-Eu sei. Se estou com ódio dele foi porque Deus quis.
-Cuidado minha jovem. Muita gente confunde livre arbítrio com a vontade de Deus.
-Não se preocupe, pastor. Eu sei com o que estou lidando.

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Hey girls. Perdão pela demora. Estou de férias, mas passei por alguns problemas e não deu para postar ontem. ENFIM ZANESSA ESTÁ JUNTO, PODEM APLAUDIR ~~clap clap clap clap~~. Bem, quero dizer que isso não é muito bom. Significa que a fic está indo para um lado meio sombrio. Vai ser bom para eles sim, mas as consequências virão e muitas lágrimas ainda vão rolar. Só digo isso. Aproveitem bem essa fase. Agradeço aos comentários. Espero que gostem desse capítulo também. Enjoy girls!
Xx